sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Tens a tua vida à tua frente
E tu limitas-te a olhar para ela assim
E dizer-lhe "minha filha, estás tramada.
Eu não te posso dar nada.
Tu é suposto saberes o que é melhor para mim."
E ela fica a olhar para mim
Com aquela carinha de sonsa
Mas eu tenho de a aturar porque sem ela
Eu não podia andar, nem respirar, nem ouvir
E há tantas vozes ao fundo
Que eu quero ouvir, por isso vivo.
"Minha filha, olha que eu estou a falar contigo,
Não vou ser eu quem te vai sustentar nesses delírios
De te guardares de mim como se fosses um presente de natal
Que eu só devia abrir amanhã. Eu vou tirar-te o laçarote
- Que por acaso é bem piroso - e ver o que tu tens aí
É para mim, claro que é meu, não te vou deixar guardá-lo
Como um mistério ausente que o tempo revela"
Apetece-me chamar-lhe nomes, às vezes.
Estou farto do seu silêncio
E do seu rosto de juíza final
De quem nos atribui a honra e a coragem
E eu só queria deixar-me cair na contradição
De a viver toda feliz e pelas razões erradas
Por isso eu despeço-me do bom senso
Da sua moralidade acutilante
Dos seus conceitos de lealdade e precaução
Aqui vai, sou eu assim e ainda respiro
Sem toda a tua ubiquidade e vastidão
Sou eu erguido em todo o meu Ser
Maior que o tempo e que o perder
Eterno na minha camisa de vestir por casa
De cigarro na mão e sem pensar na vida
A pensar no que me interessa pensar
No dia de amanhã
E depois desse
Na claridade das portas fechadas
E no escuro infinito das janelas abertas
E às vezes dizer Olá às pessoas para não estar sozinho
E os outros saberem.
"Minha querida,
Isto és tu também, Vida,
Mas assim não me interrompes a meio
Está calada, caladinha.
Não me fales à noite na cama a dizer que estou errado
E que o que eu faço contigo não se faz.
Não te esqueças que quando eu morrer
Tu também vai desaparecer."
Por
Olavo Pinto
às
03:57
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sábado, 5 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Monólogo de Marcos Riverio com uma mulher
Por
Olavo Pinto
às
19:19
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terça-feira, 1 de janeiro de 2008
Deixem as borboletas voar sozinhas
É inverno mas tanto faz
É o pensamento que dita a temperatura
E eu não te quero ver em todas as linhas
As borboletas são só uma triste e dura
Ilusão para te afastar do que me traz
A tua inteira ausência eu-solidão
E se eu não te conseguir ver nas borboletas
Que farei de todas estas linhas de razão
Para te afastar desses profetas
Quando chegar o verão?
Por
Olavo Pinto
às
21:16
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
A Estrada VI
E tudo foi no seu perfeito seguimento
O reconstruir de todo o firmamento
Sei sentir em mim tudo o que existe
Que é o que a mim importa que exista
Tu entraste finalmente nessa porta
E sorriste
Disseste que o mundo não importa
E partiste
(perto do fim perto do fim
ouvem-se vozes mal ouvidas
sentem-se ferozes em mim
as tuas mãos arrefecidas)
Já não sinto a nostalgia do presente
O arrependimento do nada
Inundar a tua face parada
Junto à estrada sempre ausente
Deixar-me na berma calada
Este silêncio é um outro
Como um festejo rouco
À espera da festa ensaiada
Não sei quem te deu o meu olhar
Nem quem foi que te emprestou a minha mão
Eu não fui pois eu nunca estive
Onde sempre julguei estar
Mas tu ficaste como quem vem ao encontro
De um novo polegar entre a paisagem
E encontra em toda a boca a aragem
Do futuro que se aproxima de nós
Excessivamente
A tua cabeça sempre foi mais que pensamento
Sempre senti em ti o fervilhar amoroso
De pensar como quem constituísse matrimónio
Com a sabedoria e ficasse para sempre a pensar
Que a evolução era um conceito que se explica
Evoluindo a explicação e a evolução
Não para explicar a evolução e a explicação
Mas para transitar entre as mentiras que suprimem
A cor dos arcos íris que se assemelham
A fantasias irreais e que só vemos
Porque existem dedos para apontá-las
E eu não sei que mais consegues dar
Que essa voz perdida em ecos silenciosos
Que se esbatem nas cores que vêm da rua nocturna
Mas perfeitamente iluminada pelo calor
De luzes de candeeiros que se replicam
Uma dúzia de passos à vez
E toda a sua luz é a nossa noite
É a nossa negrura mais obscura
Tudo para além disto é a negação
De existência
Porque se eu te visse no escuro eu não sei
O que poderia deixar à luz dos acontecimentos
Mais que uma vontade não seria certamente
Mas iria pedir mais de mim do que aquilo que eu
Sempre trouxe nos bolsos
Ou nos maços de tabaco
E a única luz que eu posso ter para radiar
É a do isqueiro que nunca é sempre o mesmo
E que vai mudando à medida que se gasta
Ou se perde ou circula
Como propriedade dele mesmo
Adorava ter a coragem de ser eu
Como quando nos perguntam o nome
E nós dizemos com a certeza da verdade
Achando impossível e ridículo
Ter outro nome qualquer
Por
Olavo Pinto
às
19:33
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