segunda-feira, 14 de maio de 2007

Teclas

Esse gigante,
Esse tempo...
Firme firmamento
Na incerta gente,
Árvore, folheado lento
Da noite presente.

Há noites que caem,
Há folhas que murmuram
E vidas que se espraem
Pelos olhares que viram.

Vastidão de começo e despedida,
Incerto sentido da clareza
- E um gigante malhado na certeza,
Vagueia lento em corrida.

Não há palavras como o vento
- Assim as folhas falavam
E as árvores eram o firmamento
Com que sonhavam.

domingo, 13 de maio de 2007

Cuidado, há ventos que sopram,
Há sinos que dobram;
E sinas legíveis
Em palmas suadas,
De mãos extensíveis
Às palavras escutadas.

Faz o que ouves e o que vês
Faz depois de o teres já feito
No espaço do e se fosse, talvez...,
Só mais tarde era uma vez...,
Por agora é o instante perfeito.

(E sabe tão bem o verso imperfeito
No parapeito
Da tua janela entreaberta
E a lua bela desperta
Para a versificação experta
De cada sujeito)

Sim, o bem e o mal,
Mais o falso ideal
Com o carimbo moral;
Não há herói natural.

O único herói que há
É o tempo, que para já,
Nunca será racional.

domingo, 29 de abril de 2007

Nunca tive mais do que o que vi,
Não, nunca em mim encontrei
Um pedaço que fosse teu,
Mas guardei
O mistério do teu céu.

O teu rosto é humano
E o teu corpo chama por mim
Assim.

De ano a ano
A fotografia que não tiramos
Está rasgada pelas mãos que não tocaste.

Mas nasceste.

Quanto mistério há nas tuas palavras,
E caso a tua boca abras
Não mais fará sentido
Esse sussurro absorto
Ao olhar acidental do nosso encontro
Neste ar de vago destino
Já morto.

Trouxe do meu mundo destruído
As sobras
Ruínas perfeitas de algo perdido
Pelas sombras

Vagueio ainda pelo olhar matinal,
Com o sol a vergar à tempestade
Orgulho de um sonho que afinal
É o que de mim sabe a verdade.

sexta-feira, 27 de abril de 2007


Gatinham a meus pés
Teus pensamentos.
Máquinas de marés,
De sentimentos,
E os pés,
Que pisam, como o tempo,
Teus pensamentos,
Qual marés,
De sentimentos,
A meus pés.
Que passam, como o vento,
Qual marés,
Que calcam com os pés,
Meus sentimentos.
Ouço os teus pés
Como pensamentos,
Rebentar qual marés
De sentimentos,
A meus pés.
Que como o vento
Se desfazem nas marés,
Os pés
Dos pensamentos,
Que calcam sentimentos,
Que se desfazem no tempo,
Qual marés.
Meus pensamentos
A teus pés,
Que caminham pelo tempo.
Teu pensamento,
Leve, como o vento,
Nas marés
Dos teus pés,
Que a meus pés,
São marés
De ida e volta.
Vida e revolta
Pelo tempo
Que o sentimento
Insulta,
Nas cíclicas marés,
Com pensamentos,
De pés.

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