
O fim da festa,
Que coisa mais triste e nefasta.
A minha alma afasta
A mente, e queima e arrasta
O meu corpo, que quer mas não basta.
Vida. Noite, adormece-me mais uma vez,
Conta-me essa história repetida loucamente,
Essa história sibilante da nossa pequenez
Vangloriando a voz que se esvai humanamente
Fim.
Começo.
Sim.
Reconheço a tua voz.
Paixão. Morte. Motivo.
Colar de pérolas atroz,
Estrangulamento passivo.
Desejo. Fé. Raciocínio.
Meramente vontade
De soerguer a verdade
Ao pôr-do-sol do declínio.
sábado, 7 de outubro de 2006
terça-feira, 3 de outubro de 2006
Só a nós cabe
A realidade
Destruída
Reconstrói-se.
Só a nós cabe
Essa ambição.
Falam-nos múrmuros
Rostos tapados
Nossos passos.
Só a nós cabe
Segui-los.
Dizem-nos calmos
Espíritos outros
Nosso Destino.
Só a nós cabe
Tê-lo.
Dançam as mãos
Brincam os olhos
No espaço.
Só a nós cabe
Pousá-los.
(Foto: Fonte da Moura, Forte de S. Neutel, Chaves.)
Por
Olavo Pinto
às
20:04
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domingo, 1 de outubro de 2006
O Cheiro Deste Livro Excita-me
Como é que tu adivinhas coisas assim? Ainda estou para descobrir, e acho, convictamente, que vou estar para sempre. Eu e qualquer um. Convicção é a última coisa a nascer, e como eu estou convicto de que não há princípio nem fim, porque estes são establecidos sempre pelos humanos, qualquer "algo" é sempre algo entre aspas, nunca algo em si, sempre aproximado, nunca total, até o mais complexo dos sistemas, algo quase, nunca algo algo. O exemplo, tudo o que eu escrevo, tem princípio e fim porque eu o começo e acabo por parar num ponto qualquer, o que eu quero escrever, sobre qualquer coisa, nunca começou nem vai acabar, porque é, e é a isso que eu tento chegar, sem nunca chegar, tentativas quase inúteis de mostrar que tenho para mostrar o que tenho (e todos podemos ter) de indemostrável aos outros. Por aí se criam (capacidade de síntese do existente, ou seja, fazer caber na consciência uma existência, que de qualquer maneira é sempre maior que a consciência) todas as "disputas" humanas e imperfeitas para consciencializar a experiência (cabendo esta na existência real e nunca totalmente percepcionada pela consciência ou na ideia já pervertida de uma parte incompleta de experiência) que fazem de nós aquilo que nós pensamos ser sós e que nos tornam na maravilhosa criatura social, como esta aparentemente complexa consciência social que nos dá esta experiência e existência social tão surreal quando observada de fora. O quanto os deuses se riem! Eu não falo sozinho.
Por
Olavo Pinto
às
23:23
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terça-feira, 26 de setembro de 2006
Amo-te*
*sujeito a alterações sem aviso prévio.
Por
Olavo Pinto
às
20:32
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Sensibilidade como Poder
Porque é preciso parar, por um bocado, de vez em quando, com esta coisa da poesia, estais todos a ficar com uma ideia muito errada de mim! E isso não é grave nem mau, mas de qualquer maneira, e para salvaguardar a sociedade de fazer generalizações estupidamente dignas e verdadeiramente legítimas (sim, porque eu tenho o direito de não gostar de deputados, até posso odiá-los, e isso é bonito, principalmente havendo no universo a hipótese de eu me apaixonar por uma) sobre os poetas sendo eu um. O que é um poeta? Alguém que escreve poemas. Porquê? Porque é sensível. Vamos lá pôr a ideia de sensibilidade em ordem, a sensibilidade não é fraqueza e subjectividade. É poder (e bem objectivo)! Um poder de viver, ver e sentir coisas que não estão lá, que não existem enquanto factualidade certa e palpável ou lógica, isto é: são imaginação. Fernando Pessoa já fez esse trabalho de explicar o fingimento poético. A sensibilidade poética é objectiva, a partir do momento em que se designa de sensibilidade, porque é um verso, é um poema. E um poema tem, na sua subjectividade, a maior objectividade de todas, porque consegue transmitir aquilo que não é nem nunca foi, ou que está disfarçado de subjectividade, mostrando o que foi por algo impossível ou excessivamente genérico (como por exemplo por uma metáfora). Mas toda essa subjectividade têmo-la nós na nossa mente, quando queremos explicar o inexplicável, sendo o tipo de mecanismo que o poeta usa e transforma no trabalho árduo de objectivar, de focar com uma lente qualquer (as musas, os deuses, o superior, o amor, o que-tu-quiseres-que-seja...), aquilo que é subjectivo e insensível, establecendo assim a sensibilidade como poder.
Por
Olavo Pinto
às
19:53
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segunda-feira, 11 de setembro de 2006
O dia em que me esqueci de te escrever
Porque hoje esqueci-me de te escrever, de te pensar. Dia este em que desisti de procurar na tua pessoa sentido maior que o seres pessoa, sonho maior que suspiro, sombra maior que forma e desta forma encontrar mais um pouco de mim por um pouco que seja. Tudo o que possamos dizer a nós mesmos sobre a eternidade e o infinito é mentira... a eternidade é o que guardas, o infinito é guardares sempre.
Adoro o teu olhar, ah! como adoro o teu olhar. Mas não, nunca, nunca por palavras conseguiria fazer ver essa magnanimidade, porque se conseguisse não precisaria de olhar para ti e te ver como fenómeno inteiro e real, completamente real e palpável.
Estou pasmado e imóvel perante a vida que começa a cada ponto, movendo ponto a ponto com a força toda do passado, isto, consciente de si e de cada seu passo e pégada. Porque hoje eu esqueci-me de te descrever, ao som murmuro do vento, à voz ausente do momento, que por ser momento é um eco de um som que não ouvimos muito bem... Coisas que ficam na sombra de trás da luz, que se perdem numa voz que as seduz, para serem mais que sombras ou formas... mais que palavras sao cordas que prendem... e prendendo não soltam.
Porque hoje esqueci-me de escrever e te traçar pelas linhas comuns do papel. Porque hoje por um motivo qualquer deixei a caneta perdida na sarjeta ou no passeio ou na estrada, e todos os que por ela passam a ignoram e ela com a verdade de todos eles em tinta unida. Hoje esqueci-me de te escrever pela falta de papel, ou pela dor de cabeça insuportável que não cheguei a ter. Hoje esqueci-me de ti e de escrever não me esqueci, porque estás aqui no que escrevo, sem estares porque me atrevo a dizer que me esqueci de te escrever... Mas não me esqueci de ti porque tu és passado e um dia foste futuro.
Adoro o teu olhar, ah! como adoro o teu olhar. Mas não, nunca, nunca por palavras conseguiria fazer ver essa magnanimidade, porque se conseguisse não precisaria de olhar para ti e te ver como fenómeno inteiro e real, completamente real e palpável.
Estou pasmado e imóvel perante a vida que começa a cada ponto, movendo ponto a ponto com a força toda do passado, isto, consciente de si e de cada seu passo e pégada. Porque hoje eu esqueci-me de te descrever, ao som murmuro do vento, à voz ausente do momento, que por ser momento é um eco de um som que não ouvimos muito bem... Coisas que ficam na sombra de trás da luz, que se perdem numa voz que as seduz, para serem mais que sombras ou formas... mais que palavras sao cordas que prendem... e prendendo não soltam.
Porque hoje esqueci-me de escrever e te traçar pelas linhas comuns do papel. Porque hoje por um motivo qualquer deixei a caneta perdida na sarjeta ou no passeio ou na estrada, e todos os que por ela passam a ignoram e ela com a verdade de todos eles em tinta unida. Hoje esqueci-me de te escrever pela falta de papel, ou pela dor de cabeça insuportável que não cheguei a ter. Hoje esqueci-me de ti e de escrever não me esqueci, porque estás aqui no que escrevo, sem estares porque me atrevo a dizer que me esqueci de te escrever... Mas não me esqueci de ti porque tu és passado e um dia foste futuro.
Por
Olavo Pinto
às
14:27
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