Simples é a promessa da vitória.
Dificilmente se volta a olhar nos olhos a incumprida vida
Desde que ela não olhe nos nossos e nos cegue.
Olhando para ti, no verde verão suado que passou,
Penso nas infinitas hipóteses
De te encontrar, e nas formas perco toda a esperança
Porque nunca será melhor do que foi.
O que foi é, seja o que quer que tenha sido.
(Ah como o sinto
Como o cheiro
Esse tempo que passou)
Voltará? Nunca e sempre.
Da promessa que regressa
Na lágrima e na memória.
(O toque, perfeito toque...
Como te sinto agora sem te sentir
Que ponte te aqui trouxe?
O teu efeito é vasto como o universo
E na verdade é um mar sem ondas…)
Quão errado é pensar o sentir,
Na verdade é uma onda sem mar.
quarta-feira, 30 de agosto de 2006
sábado, 19 de agosto de 2006
Quase
De volta, enfim, de volta.
Sim, meu amor, voltou...
Na volta nunca saí, mas agora estou
Mais em estar que em consciência.
Não quero saber.
(Recorda e mutila-te!)
Quase te vi.
Quase te amei.
Quase tentei.
Até quase me dói.
Ri e esquece...
Fugir da fuga de mim,
Ouve, adormece,
Olha e aquece
O esplêndido sono que vem do fim.
Por
Olavo Pinto
às
04:18
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sexta-feira, 4 de agosto de 2006
A Escolha
paixão s.f. tendência dominante, ou mesmo dominadora e geralmente exclusiva, que exerce, de modo mais ou menos constante, acção directora sobre a conduta e o pensamento, orientando os juízos de valor e impedindo o exercício de uma lógica imparcial; sentimento profundo; grande predilecção; afecto violento; amor ardente; o objecto desse amor; grande desgosto; parcialidade; tendência exaltada, exclusiva, absorvente e duradoira; martírio de Cristo...
amor s.m. sentimento que nos impele para o objecto dos nossos desejos; objecto da nossa afeição; paixão; afecto; inclinação…
in Dicionário de Língua Portuguesa, 8ª Edição, Porto Editora.
Observo de fora
Nesta tendência dominante
A sorte dominadora
Exclusiva e constante
Então escorro dirigido
A minha moral afundou-se no teu mar
Para quê fugir ao perigo
De afundar...
Se sabes tão bem flutuar.
Amor ardente
Absorção exclusiva
Pela carne viva.
Desejo que fatalmente...
Bóia violentamente.
Por
Olavo Pinto
às
01:58
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terça-feira, 25 de julho de 2006
Vazia está a espera
Derramada a vitória
Anoitece a branca quimera
Sorteada a gratuita glória.
Quero acordar
Sem recordação.
Partir, sem ficar
Marcado pela carnação.
Despejo de voz de gesto
De rosto e de nojo.
Desejo o oposto,
A identidade sem pejo.
Já nem uma procura;
A voz está quieta,
Adormecida, está escura,
Calada, refeita em amargura,
Suspensa e perfeita.
Silênciada e pura.
Por
Olavo Pinto
às
15:28
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em busca de Orion
A Sophia de Mello Breyner Andresen
Dansas em vapor
Pelo calor
De uma chama arrefecida
Escorres por cidades e caminhos
Desaguas no inteiro e puro ninho
No começo de tudo quanto é vida
O azul que te liberta
É a grade da tua verdade
Mas tu vieste segura e encoberta
No manto da humanidade
Liberdade pura e vasta
Concreto o teu percurso
Com o manto que se arrasta
Perseguindo o oposto do universo
Agora olhando cada verso
Se revela o interior mais belo e pleno
Nos teus olhos espelhado o protesto
A teus pés o mar sereno
Por
Olavo Pinto
às
15:16
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segunda-feira, 26 de junho de 2006
Morto
I
Não vou desperdiçar o agrado
Que tenho por certo na melodia
À extensão do certo e absoluto
Sem metade do esplendor do dia
Que interessa a palavra e a promessa
Sem a extensão do brilho do prazer
Vulcão sem erupção
Dançar sem música, olhar sem ver.
Não te vou dizer o que fazer
Nem te pedir que te aproximes
Vens se vieres, caso não venhas
Viverás por esses crimes
II
Ouço uns passos atrás de mim a supor
Pobre vadio, passo a passo, mais perto e sujo
Pede-me um cigarro, “claro!”, e vai com a dor
Que me deixa de pena e de nojo
Sem culpa me desculpo, mas que culpa
Posso eu ter do que não tens e do que vens.
Sinto-me em ti, e eu outro revivo à lupa
A tristeza e o alegre infortúnio que tu tens.
Dou mais um bafo no cigarro e atiro-o para o chão
Olho as luzes, a pedra, e algo de dor não sai
Estou outro, mais próximo. Altruísmo igual à tentação
à inveja à cobiça. Algo da máscara cai.
Imagino em mim outro eu, outra existência,
Revejo o passado e o presente
Tolda-me o olhar a causa e a consequência,
Sento-me exausto nas escadas da mente.
Que força maior há que o individual
Retaliando sem retaliar à voz da gente
Olhar do meio a totalidade social
Olhos de um diferente indiferente.
III
Nasce a tua voz, como nascente
Penetrando funda e grave a minha face
Poluída e inócua pela sombra inerente
À luz bifurcada que aquece.
Continuo, passo a passo
O luar, lá em cima, que nos observa
Com os olhos te trespasso
E o cheiro a tudo, e o nada a erva.
Grave. Parado. De repente um grito
Um suspiro aflito.
Renascendo do mais profundo que existe
Algo de palpável no teu destino
Aí! Aí! Na tua pele que brilha e ris-te
E o teu riso renego e obstino
Depois abro a boca e calo-me, paraliso
Fecho os olhos, viro costas, parto
Tu ficas embebida
Em ti
E eu sigo a vida
Morto.
Por
Olavo Pinto
às
01:53
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