terça-feira, 25 de abril de 2006

A Moral de Kant

A moral é querer
Sem vontade
De estar.
É ter partido
E ficar.

Moral é sair
E entrar
Com paixão.
E como sempre
Dormir no chão.

Moral é abdicar
O tudo
Pelo nada.
Sem ter em conta
O fim da estrada.

Moral é tornar
Divina
Nossa sepultura.
Viver na claridade
Da noite escura.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Sanakebite

Intolerant, intermissions among parallel worlds
Reached your subconscious with cognisant things,
Invisible lines, blockades, force; break links.

The link of the life,
Wicked but well,
Life, ego, farewell,
Calculate your evidence!

Destiny walks,
Feel this movement sensation,
When you draw, tracing the saw,
You get to set the encouragement.
The event turn into a enigmatic element.
Hug the mystery, tic tac time sta-tic.

You got the time. You hold the time.
You better close all the doors that grip the line.

Tic Tac
Time
Sta-Tic

Emphatic
For the time and space, lost, closed, captive in the attic.

Notice that everything freezes in your mind.
Notice that your mind freezes on everything.
Notice the freeze when your mind is everything.

You fall… the angel no longer looks after you, simply remain.
You are at random, the destiny doesn't sound his echo in this present incarceration, the wind doesn't blow trough these walls of dogma.

How couldn’t you find this fun…
The snakebites, it has the poison you rear…
You’d kill the man givin’ him the gun…
When it bites is the death, and the bite is the fear…

The ego, in him embarks to the infinite,
Until you sink in the life structure,
Resurrect in the death of the myth.
Reach the end, without departure.

terça-feira, 18 de abril de 2006

Abre-se a cada segundo em mim
Como uma fenda na terra do fim
Fecha-se a cada segundo
a voz
E engole o mundo
a fundo
a cruz

O paraíso descobre-se no encobrimento
De um tempo que morre que vem e não há
No espaço do vento que sopra mas não vá
Levar-me à distância da irrespirável ausência

És numa palavra tu
És a que vem encoberta
És a que esconde
A que abafa
E deixas a porta aberta

Dogma

Conjunto de circunstâncias e determinações, cujas determinações são circunstanciais e em que as circunstâncias são determinantes para uma fatalidade emparedada por paredes infactíveis de força superior à vontade, e mesmo à razão, tornando-se vontade e razão por força, não da irracionalidade e ataraxia, mas de uma razão involuntária, e de uma vontade não racionalizada.

sexta-feira, 24 de março de 2006

Portas Que Abrem Chaves V


Vejo-te ao longe
E perto te penso
A amar.
O que da distância foge
Quero-te agora, mar,
Para voltares no regresso
De querer voltar.

***

Sinto-te ao longe
E perto te imagino
A ser.
A imobilidade que foge,
Quero-te meu, querer,
Para existires no regresso
De voltar a nascer.

(Nota: esta exposição de fotografia e poesia é dedicada à cidade de Chaves, daí o nome Portas Que Abrem Chaves
Note: this exposition of photography and poetry are dedicated to the town named "Chaves", which means keys, and give meaning to the title "Doors That Open Keys" - the town.)

Portas Que Abrem Chaves IV


Eu queria
O dia
E a noite num só rosto.

Uma viagem
Pela paisagem
Do oposto.

Acorda-me agora
Mas acorda e devora
O outro lado do espelho
Indisposto.

Vaga a recordação
Lá o projecto,
Em vão
Lágrima afecto.

Avisa-me do preço,
Declara a tua nua fragilidade
Cara de lua e impiedade
Cara metade de metade do regresso.

Acordo,
Levanto
E volto a deitar.
Absorvo o ar
No sorver do pranto,
Ardo.
Água que arde
Na ardente liquidez
Da chuva da tarde
Em que toldo do fim de uma tua rua nos fez.

Olhas e olhas e não vês.
Não queres ver.
Nem teus olhos merecem
Palpar o meu sofrimento na cruz
Do meu cruzamento de sofrer
Com meu futuro que os deuses esquecem.

Eu voltava
Se pudesse
Ao princípio do mundo
Eu chorava
Se houvesse
Algo de algo no fundo.

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