Que sentido teve
O tempo que passou
Um peso tão leve
Que o vento o levou
Que sentido tem
Olhar assim o céu
Sem saber bem
Se sou rei, se réu
Que sentido tem
Abraçar-te assim
Ser outro alguém
Não ser em mim
Que sentido tem
Ver-me em ti
Querendo olhar além
Daquilo que é aqui
Que sentido terá
Pensar no que não é
Esperar o que não virá
E esperar de pé
sábado, 7 de janeiro de 2006
domingo, 1 de janeiro de 2006
Estamos aqui, agora.
Neste presente distante.
Um sussurro que é barulho,
Que de tão perto se sente.
O tempo é um embrulho,
Olhos de dentro estão fora.
Ouço um novo gemido
De um desejo consumado
Levanto os olhos, estremeço
Cada músculo se contrai, irado
Mas em mim o reconheço:
Instantâneo auge já ido.
Vamos amanhã viver?
Pois vamos, com certeza!
Ou mesmo sem ela,
Pois é indelicadeza,
Pensar que a janela,
Escurece sem anoitecer.
Por
Olavo Pinto
às
22:53
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Enquanto eu... for
Quem não pareço ou aparento
Enquanto eu me esquecer do tempo
Enquanto eu souber que fui
Enquanto eu... for sendo
Aquilo que não pensei ou previ
Enquanto eu não me souber aqui
Enquanto eu quiser ser
Enquanto eu estiver
Onde não imaginar ou sonhar
Enquanto eu não pensar
*
Enquanto eu não pensar no que me rodeia
E em tudo aquilo que me atravessa,
E seguir os passos marcados na areia,
Saberei, sem saber, te encontrar sem pressa.
Enquanto eu caminhar e deixar marcadas,
Como cada memória da tua maresia,
Minhas pegadas na areia molhada,
Irei guardar recordações, sem fantasia...
Pelo tempo rasgamos o vento,
Enquanto a cíclica Mãe nos adormece
Com o seu embalar, cíclico e lento,
Num universo que em tudo permanece.
Ah, como me sinto observado
- E todos nós nos sentimos –
Por um tudo nada no telhado,
Com olhos invisíveis aos gemidos.
Tudo porque eles nos querem ver fortes
- Como eles.
Nas nossas mãos suam líquidos reles
Enquanto eles apostam a nossa sorte.
Eles querem ver o amor e o herói
Ou a virtude da honra e valentia.
Mas eu adormeço no teu leito, maresia,
No sonho desperdício que me dói.
Por
Olavo Pinto
às
06:00
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2005
Levanto os olhos da mesa do café, olho em volta, e a atmosfera envolta de um doce e quente cheiro a gente, faz-me levitar. O chão está a centímetros do solo, eu sou o chão e sobre mim está erguido o imperioso edifício do Ser. De repente descanso os olhos num placard publicitário: “Change You View”. Sem mexer nada em mim, o placar exibe um novo slogan: “Renda-se ao sabor do inesperado”. Novamente: “win some... lose some”. Ah, religião tão fervorosamente seguida que a cada segundo nos indica o caminho, nos enche os olhos, nos rouba a vontade e no-la substituí por desejos.
Tudo está já escrito. Só nos resta vivê-lo, olhando profundamente aquilo que de superficial nos atenta. Afinal há mais, aqui no que julgávamos estar vazio. Afinal algo chocalha no que julgávamos ser inócuo. Quebra a casca fina e macia da sensibilidade. Lá dentro, lá dentro... Afinal, lá dentro. Afinal, nós sempre fomos felizes.
Por
Olavo Pinto
às
22:21
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terça-feira, 13 de dezembro de 2005
Estilo Diamante
O estilo diamante cristaliza
Nos sentidos a voz que se procura,
Visão vasta, calma que alisa
As estrelas no horizonte de negrura.
A praia, aqui em baixo, tão perto
Adormece em mim toda a vontade.
Mas o invisível infinito tem verdade,
Tem a justa imaginação em que desperto.
Hábil é aquilo em que pensamos,
Série de imagens do que nos escapa,
O mistério, o fado, que aspiramos
E que a imunda realidade fede, mata.
Voa comigo, pela vista, cegamente.
Vê comigo como um só olhar célere,
Depois no escuro, são, brilhante,
Adormece o despertar que fere.
Realidade é mera absorção,
Do divino espaço que ela tem.
É aquilo invisível, quase imaginação,
Que bem se vê, por não se ver bem.
Por
Olavo Pinto
às
11:27
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Vamos, vamos embora
Que o segundo é hora
E o mundo chora
Dentro, dentro
Onde eu não devia estar
O mundo é momento
E eu sou andar
Sem chegar a ser
Outra coisa senão querer
Vamos, vamos embora
Lá Fora, por fora
A vida não é aqui
Nem nunca foi certamente
Talvez no que previ
Tivesse sido
Mas só momentaneamente
Antes de vir já tinha ido
Vamos, vem comigo
Embora... agora... anda
Que o mundo não manda
Naquilo que eu digo
Vamos, vamos embora
Que o mundo devora
Quem insiste em ficar
Morrer é parar
Viver é ir embora
Por
Olavo Pinto
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11:26
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