Espada que quebra não fere
Quando te perdes na febre,
Num rodopio de imagens,
Milhares de locais e passagens
Inidentificáveis,
Quero, mas não são enquadráveis
Nestes momentos de lágrimas frágeis.
Cai, gota a gota, no chão molhado,
Cai, e desaparece, cansado,
Exausto,
Insanidade do anjo no holocausto.
Quando a verdade existe, mas não vem,
Quando a sanidade está por um riste,
E nós também…
Tentei, eu juro, e foi com muita calma,
Bem calma, a situação da alma.
De palma a palma, de orelha a orelha,
De boca a boca, sufoca a ovelha
Que te dá a lã para te aqueceres neste equador da mente,
Mas ela é fã dos saberes do amor inconsequente.
sábado, 28 de agosto de 2004
sexta-feira, 27 de agosto de 2004
"Numa mão sempre a pena e noutra a espada"
Numa mão sempre a alma, na outra o pecado
Numa mão sempre a calma, na outra o fado
Numa mão sempre o naufrago, na outra o naufrágio
Numa mão sempre o mago, na outra o presságio
Numa mão sempre a beleza, na outra a mágoa
Numa mão sempre a tristeza, na outra a lagoa
Numa mão sempre a luz, na outra a palavra
Numa mão sempre a cruz, na outra a sombra
Numa mão a água, na outra papel
Numa mão a mágoa, na outra o mel
Numa mão, a vida, na outra a morte
Uma mão decidida, a outra à sua sorte
Por
Olavo Pinto
às
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quarta-feira, 25 de agosto de 2004
Uma outra lua
Apaixonar-se,
Dás-te conta do que se passa?
Não faz sentido, disfarça.
Um príncipe e uma princesa,
Numa historia de encantar
Sem acabar, no eterno, sem o inferno vir?
Amar é uma história, na realidade é difícil
Amar é memória, com saudade… é um míssil
Amor / Amante
Que te ataca, destrói
Que te penetra, corrói
Amor, voa, não voltes
Amor?... Não o soltes!
Num mundo onde toda a palavra rima, mas nenhuma faz sentido,
Escuto ao longe uma luz que se traduz, indefinido
Sacio-me com palavras, que na ordem certa matam a fome.
Ganho toda a visão, solto o grito, é o teu nome...
Não tenho mundo, o processo o procura
Não tenho doença, mas quero a cura
O tempo perdura e não cura, fere
O pensamento, lento, de sentimento não requer
Não importa o que eu digo
Não importa nada do que eu falo
Mas quando eu faço, e consigo
O importante não é sonhar, é alcança-lo
Mais que um sonho, um ideal
Mais que um ideal, um final… feliz?
Quem sabe se foi, foi como Deus quis!
Rimo, é verdade,
se faço sentido, quem o sabe?
Talvez o faça e a realidade não o adapte,
porque é um coração distinto que bate.
É outro sinal que se alcança.
É outra voz que dança
ao som de uma outra lua,
de um outro silêncio,
talvez seja tua,
se o é, vence-o.
Por
Olavo Pinto
às
23:24
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Auréola da vida
Alvíssaras aos fantasmas que te observam
Desde outro mundo onde te reservam
Todos os privilégios, num céu além
No Sacrilégio que te encontra em bem
Abram caminho, caminha o cavalo sozinho
O cavaleiro, o verdadeiro, adormeceu debaixo das nuvens
Onde te encontras, Ó Grande? Porque não vens?
A coroa não faz o príncipe!
A ave voa, que o vento a cite!
Que o alcance o brilho da estrela!
Que não cante a malvadez tão bela!
A mãe chora…
A sua princesa mora na torre mais incansável!
A chama acesa dança, consumindo-se, instável.
Rei e Reino procuram na natureza o sobrenatural,
Chamando a si aquele que fora de si se vale…
Está morto!
Está morto!
O Cavaleiro é só já corpo!
Está morto!
Está morto!
O Cavalo corre absorto!
O anjo e suas asas submetidos à convalescente fé,
Agora sua princesa voa como um anjo que não é.
Bela à luz da lua, una com o vento,
Cavaleiro à vista do sentimento.
Ao toque fez-se luz!
Ao toque fez-se luz!
E num beijo se traduz…
O Cavaleiro renasce!
O Cavaleiro renasce!
O Cavaleiro é o Príncipe, é imortal!
A coroa é a auréola!
A coroa é a auréola!
O Príncipe renasce na auréola da vida!
Abram caminho, o cavalo não vai sozinho
O cavaleiro, o verdadeiro, acordou acima das nuvens
Ó Grande para sempre aqui, entre nós!
O povo não quer a coroa, quer a voz!
A ave poisa, no ombro!
A estrela ressuscita o sol, do escombro!
Canta eternamente ao vento a nossa gente!
Eterno cavaleiro!
Feliz para sempre!
Inferno verdadeiro!
Aprendiz na mente!
Corre!
Corre cavaleiro!
Não morre!
Morre, Verdadeiro!
Ele sempre esteve vivo…
Ele sempre esteve morto…
Por
Olavo Pinto
às
22:04
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quinta-feira, 29 de abril de 2004
Um ser
Encosta para traz o pescoço,
Adormece, lento, vento grosso.
Sou eu e quem mais havia de ser?
Um ser.
Regressa para os meus braços,
Na ampulheta os minutos de paixão escassos,
Vejo-te a ti, sem mais ninguém para ver.
Um ser.
Aprecia a natureza, tudo é uno,
Tu, a supra beleza, ávida Juno,
Completa todo o ser, o ser natura
Alma há só uma, e é pura.
Mais que um ser,
Não sei defini-lo…
Por
Olavo Pinto
às
18:43
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domingo, 18 de abril de 2004
Poesia de café...
Ai... Como vejo o horizonte não sei,
Mas o chão que piso, chão sem rei,
A arte foge-me das mãos, é incorpórea.
As mãos da arte são, em vão, memória.
Cubro a solidão com meu manto,
Ao rubro da respiração, choro num pranto.
Moro no canto da palavra austera,
Na voz sobrenatural que a natura espera.
Voo baixo terra, caminho na atmosfera.
Sou o silêncio inaudível da tua esfera.
É tão doce que em vão adormece, sonho não vem,
Realidade não tem,
Caminha na inexistência,
Pisa a linha inaudível da demência,
Respira o ar visível da consciência,
É a ira risível da existência,
É o conforto inconformado da experiência,
É o limite da liberdade da dependência,
Sem influência, pai ou filho, sem conta.
É a unicidade, o zero, que não se encontra,
Que foge dele mesmo para ele, não é nada é tudo.
É o grito insípido, da voz de um mudo,
Não é um ser, é um mundo
Sem ser.
Não é o ver, é a visão
Cega.
Não é música, é letra que nega.
É o idioma comum, mas nunca dito,
Sentido num só sentido, sem voz, só grito.
Não inspirado, é inspiração que nada serve,
Apenas seu coração, sem sangue, pois sangue ferve.
A consciência, essa pereceu agora é arte
Do mecanismo cíclico de que sempre fez parte.
Não é matéria, é mistério
Como miséria, séria, sem cemitério.
Sem critério, sem final,
Fim ou meio, é o oculto do natural,
Sub natural, sobrenatural.
É bem e mal ao mesmo tempo,
Fora de tempo,
Ou pensamento.
É o momento em que me encontro em ti.
É a verdade que engana, que eu engoli.
É simplicidade confusa,
É a maquiavélica musa,
É uso que do desuso não se usa.
É aquilo que do nada abusa,
Reclusa de liberdade que obteve,
Água que afoga, não mata a sede.
É invisível, inalcançável…
Morte saudável…
Oh, sorte afável!
Beijo de almas…
Canto de salvas!
Suor de palmas…,
Juntas numa só!
E acredita que toda a matéria é pó
Na eternidade, no infinito…
É palavra que não existe, tão só num grito!
Como um fantasma, crença da loucura!
Do demais fere, mas também cura…
Por
Olavo Pinto
às
03:14
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