quarta-feira, 25 de agosto de 2004

Uma outra lua

Apaixonar-se,
Dás-te conta do que se passa?
Não faz sentido, disfarça.
Um príncipe e uma princesa,
Numa historia de encantar
Sem acabar, no eterno, sem o inferno vir?
Amar é uma história, na realidade é difícil
Amar é memória, com saudade… é um míssil

Amor / Amante
Que te ataca, destrói
Que te penetra, corrói
Amor, voa, não voltes
Amor?... Não o soltes!

Num mundo onde toda a palavra rima, mas nenhuma faz sentido,
Escuto ao longe uma luz que se traduz, indefinido
Sacio-me com palavras, que na ordem certa matam a fome.
Ganho toda a visão, solto o grito, é o teu nome...

Não tenho mundo, o processo o procura
Não tenho doença, mas quero a cura
O tempo perdura e não cura, fere
O pensamento, lento, de sentimento não requer

Não importa o que eu digo
Não importa nada do que eu falo
Mas quando eu faço, e consigo
O importante não é sonhar, é alcança-lo
Mais que um sonho, um ideal
Mais que um ideal, um final… feliz?
Quem sabe se foi, foi como Deus quis!

Rimo, é verdade,
se faço sentido, quem o sabe?
Talvez o faça e a realidade não o adapte,
porque é um coração distinto que bate.

É outro sinal que se alcança.
É outra voz que dança
ao som de uma outra lua,
de um outro silêncio,
talvez seja tua,
se o é, vence-o.

Auréola da vida

Alvíssaras aos fantasmas que te observam
Desde outro mundo onde te reservam
Todos os privilégios, num céu além
No Sacrilégio que te encontra em bem

Abram caminho, caminha o cavalo sozinho
O cavaleiro, o verdadeiro, adormeceu debaixo das nuvens
Onde te encontras, Ó Grande? Porque não vens?
A coroa não faz o príncipe!
A ave voa, que o vento a cite!
Que o alcance o brilho da estrela!
Que não cante a malvadez tão bela!

A mãe chora…
A sua princesa mora na torre mais incansável!
A chama acesa dança, consumindo-se, instável.
Rei e Reino procuram na natureza o sobrenatural,
Chamando a si aquele que fora de si se vale…

Está morto!
Está morto!
O Cavaleiro é só já corpo!
Está morto!
Está morto!
O Cavalo corre absorto!

O anjo e suas asas submetidos à convalescente fé,
Agora sua princesa voa como um anjo que não é.
Bela à luz da lua, una com o vento,
Cavaleiro à vista do sentimento.
Ao toque fez-se luz!
Ao toque fez-se luz!
E num beijo se traduz…

O Cavaleiro renasce!
O Cavaleiro renasce!
O Cavaleiro é o Príncipe, é imortal!
A coroa é a auréola!
A coroa é a auréola!
O Príncipe renasce na auréola da vida!

Abram caminho, o cavalo não vai sozinho
O cavaleiro, o verdadeiro, acordou acima das nuvens
Ó Grande para sempre aqui, entre nós!
O povo não quer a coroa, quer a voz!
A ave poisa, no ombro!
A estrela ressuscita o sol, do escombro!
Canta eternamente ao vento a nossa gente!



Eterno cavaleiro!
Feliz para sempre!
Inferno verdadeiro!
Aprendiz na mente!
Corre!
Corre cavaleiro!
Não morre!
Morre, Verdadeiro!

Ele sempre esteve vivo…
Ele sempre esteve morto…

quinta-feira, 29 de abril de 2004

Um ser

Encosta para traz o pescoço,
Adormece, lento, vento grosso.
Sou eu e quem mais havia de ser?

Um ser.

Regressa para os meus braços,
Na ampulheta os minutos de paixão escassos,
Vejo-te a ti, sem mais ninguém para ver.

Um ser.

Aprecia a natureza, tudo é uno,
Tu, a supra beleza, ávida Juno,
Completa todo o ser, o ser natura
Alma há só uma, e é pura.

Mais que um ser,
Não sei defini-lo…

domingo, 18 de abril de 2004

Poesia de café...

Ai... Como vejo o horizonte não sei,
Mas o chão que piso, chão sem rei,
A arte foge-me das mãos, é incorpórea.
As mãos da arte são, em vão, memória.

Cubro a solidão com meu manto,
Ao rubro da respiração, choro num pranto.
Moro no canto da palavra austera,
Na voz sobrenatural que a natura espera.

Voo baixo terra, caminho na atmosfera.
Sou o silêncio inaudível da tua esfera.

É tão doce que em vão adormece, sonho não vem,
Realidade não tem,
Caminha na inexistência,
Pisa a linha inaudível da demência,
Respira o ar visível da consciência,
É a ira risível da existência,
É o conforto inconformado da experiência,
É o limite da liberdade da dependência,
Sem influência, pai ou filho, sem conta.
É a unicidade, o zero, que não se encontra,
Que foge dele mesmo para ele, não é nada é tudo.
É o grito insípido, da voz de um mudo,
Não é um ser, é um mundo
Sem ser.
Não é o ver, é a visão
Cega.
Não é música, é letra que nega.
É o idioma comum, mas nunca dito,
Sentido num só sentido, sem voz, só grito.

Não inspirado, é inspiração que nada serve,
Apenas seu coração, sem sangue, pois sangue ferve.
A consciência, essa pereceu agora é arte
Do mecanismo cíclico de que sempre fez parte.

Não é matéria, é mistério
Como miséria, séria, sem cemitério.
Sem critério, sem final,
Fim ou meio, é o oculto do natural,
Sub natural, sobrenatural.
É bem e mal ao mesmo tempo,
Fora de tempo,
Ou pensamento.
É o momento em que me encontro em ti.
É a verdade que engana, que eu engoli.
É simplicidade confusa,
É a maquiavélica musa,
É uso que do desuso não se usa.
É aquilo que do nada abusa,
Reclusa de liberdade que obteve,
Água que afoga, não mata a sede.

É invisível, inalcançável…
Morte saudável…
Oh, sorte afável!
Beijo de almas…
Canto de salvas!
Suor de palmas…,
Juntas numa só!
E acredita que toda a matéria é pó
Na eternidade, no infinito…
É palavra que não existe, tão só num grito!

Como um fantasma, crença da loucura!
Do demais fere, mas também cura…

quinta-feira, 15 de abril de 2004

Atrás de uma janela
Dentro do secretismo da cela
Bela mas que prende, fecha
Disposto no sonho que a realidade não deixa

Queima a fogo lento
Fumo de lentidão do pensameto
Corre em qualquer sentido
No destemido grunhido da solidão

Tão quente
Vão, fria, de repente
O que não sente, mas implora
O indiferente que sem lágrima, chora.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2004

O Sonho

Abraça-me, agora, preciso de ti!
Aqui, sim, sem mim o fim, vem.
Não é ninguém…
Basta a nefasta situação degradante,
Bate na cabeça um coração pensante,
Sinto (minto). Penso (venço)... Oh, dispenso.
Mas quero, fica, permanece!
Vai, volta, como a revolta se esquece.
Não te perco
Isto não é um cerco
Estás perto
Fabrico de saliva num sorriso deserto
De palavras
São situações… parvas
As ambições movem
As traições comovem
As visões que se dissolvem…
Que é isto? Eu não insisto… Ok?
Já dei, o que tinha para te oferecer
Não é pela pica, mas fica no prazer
Até ao anoitecer
E o que pode acontecer?
Der no que der… eu confio!
Eu sorrio, quando a sorte desafio,
Está frio, é sombrio,
Mas pode ser reconfortante
Não te percas numa estante,
Não sejas distante.
Está diante de ti
A oportunidade que vi
Vim… venci!
Era sonho? Olha como me ponho!...
Não, não e não! Se te apanho!
Coração!?... Filho da puta!
Doces sonhos… à bruta!

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