quinta-feira, 15 de abril de 2004

Atrás de uma janela
Dentro do secretismo da cela
Bela mas que prende, fecha
Disposto no sonho que a realidade não deixa

Queima a fogo lento
Fumo de lentidão do pensameto
Corre em qualquer sentido
No destemido grunhido da solidão

Tão quente
Vão, fria, de repente
O que não sente, mas implora
O indiferente que sem lágrima, chora.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2004

O Sonho

Abraça-me, agora, preciso de ti!
Aqui, sim, sem mim o fim, vem.
Não é ninguém…
Basta a nefasta situação degradante,
Bate na cabeça um coração pensante,
Sinto (minto). Penso (venço)... Oh, dispenso.
Mas quero, fica, permanece!
Vai, volta, como a revolta se esquece.
Não te perco
Isto não é um cerco
Estás perto
Fabrico de saliva num sorriso deserto
De palavras
São situações… parvas
As ambições movem
As traições comovem
As visões que se dissolvem…
Que é isto? Eu não insisto… Ok?
Já dei, o que tinha para te oferecer
Não é pela pica, mas fica no prazer
Até ao anoitecer
E o que pode acontecer?
Der no que der… eu confio!
Eu sorrio, quando a sorte desafio,
Está frio, é sombrio,
Mas pode ser reconfortante
Não te percas numa estante,
Não sejas distante.
Está diante de ti
A oportunidade que vi
Vim… venci!
Era sonho? Olha como me ponho!...
Não, não e não! Se te apanho!
Coração!?... Filho da puta!
Doces sonhos… à bruta!

"

terça-feira, 20 de janeiro de 2004

Um ponto final

Um ponto final no final inatingível.
Mas quando a força é inextinguível
o êxito atinge-se sem qualquer problema.
Obrigado pela inspiração nesta vida pequena,
que muitos criam,
que muitos procriam,
que muitos adiam,
focam o futuro
procurando destruir o muro
para atingir o louro.

Mas onde se encontra o ouro?
Estará além montanhas,
a felicidade, estará em paisagens estranhas?
Que são estas sensações nas entranhas
do meu ser?
Serão o desgosto de não poder ver?
E aquele que não quer ver?
E o adjectivo bem?
E o objectivo sem
pisar ninguém, será que existe?
Ou para minha felicidade tenho de pôr outro triste?

É a inveja, é o ódio,
a raiva de não atingir o pódio.
Qual é a cura,
haverá alguma fase segura?
Incerto como encontrar uma pessoa pura.
Mas pode estar perto…
E a incompreensão na comunicação?
Culpar um dogma, uma lei, uma perspectiva…
Mas sem rei a batalha deixa de estar viva.
Sem batalha falha a força e o itinerário,
“é melhor deixar de ser que deixar de ser revolucionário”.

***

Em nome da humanidade,
lanço quando alcanço,
mais uma verdade.

É necessário o regresso lendário
de uma causa,
de uma pausa ao vário,
disperso, precário de inverso, inaceitável,
com objectivo pouco saudável,
qual é a provável paragem do que movimentamos?
O mundo é aquilo que todos nós recriamos.

***

Sai puro o futuro que se antevê no muro do porquê.
E quem não sente? E quem não mente?
É transcendente a poesia quando sai.
É imprudente como a fantasia quando cai,
na realidade alegórica.
É melhor deixar de ser que deixar de ter retórica.

É a comunicação, em acção numa canção
a fomentar cada parte de toda uma revolução.
É assim que são, todos aqueles cujo coração
se mostra transparente,
poder físico ridicularizado pela mente.

É mesmo assim que se faz, a paz?
Fazer com que o outro se rebaixe?

É assim que esperam que eu me cegue, e deixe,
a minha vida à mercê daquele que diz que vê,
que diz o quê?
Eu fiz o quê?
É esse o porquê…
Que queres para eu te poder trazer de volta?
Qual é a verdadeira receita da derradeira revolta.
Será que há escolta, ou de repente ‘tou sozinho?
Será que serei o único que não perece no caminho?
O que parece este quadro que por momentos visualizo?
Será que um dia chegará o tal aviso?
Mas eu não quero ser um mero motivo de riso,
o ultimo a rir serei eu quando o sorriso
de todo e cada qual ele, quis mal a tudo o que eu crio...

(...quando tudo o que faço eu não copio.)

É assim que nós fomentamos,
quando lhe damos com palavras puras, não macabras,
mas a situação vai ser fodida.
Cuidado porque é efémera a tua vida.
O tiro sai, e dispara, na tua cara, cabrão!

Tentas conter a vontade da sociedade,
cortas a verdade e esperas que não nasça,
a revolta que te descasca e ficas nu perante o mundo inteiro.
É que aí nem coberto de dinheiro, porque isso não importa.
Ninguém compras quando ninguém se vender à tua porta.

É mesmo assim que ficas, desfigurado pela verdade que desfiguras.
Aos olhos de todos escondes as almas puras,
aos olhos de todos escondes as escrituras.
Todos os que ouvem percebem,
os vossos fins não justificam os meios,
Cuidado com os recreios enquanto eu vou 24 horas.

***

Cuidado Homem, porque também choras.
E tu decoras o discurso
para definir o decurso
do percurso de milhares.
Mas cuidado com os olhares,
aí vê-se tudo. Podias até ser mudo,
percebe-se o que pretendes.
Cuidado, vê lá se não nos ofendes.
Não é exibição, é função de todo o humano
perante a humanidade.

Mano a mano, nasce o círculo da verdade.


(Versão definitiva, composto de fragmentos desde 2003.)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2004

Consciência que esmorece

Eu amo-te, não to posso dizer
Tudo ter. E deitas tudo a perder.
Porque será que as pessoas se perdem
Num cruzamento de pensamento? Observem,
Eu não consigo apaixonar-te,
Não és a minha arte,
Tu magoas-me com golpes profundos,
Invisíveis mas dolorosos, quebram mundos,
Cabeças, corações com convicções pouco convictas.
São pensamentos em cruzamentos que incitas,
Sentimentos em que aflitas as vozes choram
Em palavras que coram, que demoram,
Quem moram na cave do pensamento:
O sentimento.

Não te posso amar, mas eu amo-te…
Então que posso fazer?
Amor proibido por um orgulho ferido,
Por um mergulho num sonho diferido,
Num mundo imundo, no fundo tu amas-me,
No mesmo fundo em que todos somos bons,
No mundo onde as flores crescem a mais,
Mas neste o reflexo é de flores artificiais,
A tua vida não te está destinada, fada!
Permite-me que to chame, fada, sim, fada que não socorre,
Enquanto fores possuindo, a minha esperança não morre!

No fundo de uma caixa,
Saiu um dia uma faixa
De luz que não conduz, destrói
Mas que dá prazer… e corrói.
“Pandora”, “Hearth Shaped Box”,
O amor na mente é paradoxo.
A felicidade subsiste da infelicidade,
A amizade subsiste da inimizade,
Então a verdade subsiste da mentira
Para possuir teu corpo, mente, paz e ira
Sem que ninguém se fira, abandono acontece.
É a prevalência da consciência que esmorece.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2003

O Cravo e a Rosa

Só preciso de unir letras num espaço
Como se musicalmente acertasse o compasso
Escrevendo: tu és a razão do que eu faço.

Aprecio-te, quero-te, mais que mais
Quem pode amar sem querer ter?
É a vontade, que de poder amar
Nunca amar o que não se pode ver
Amar é solução e problema de que sais
Para te veres querer dar sem tirar

Solto, é liberdade de um preso
Poder sonhar, voar, sem dar um passo
Pode ser novo ou não, debalde, velho
Sem poder amar, agradar, ser escravo

Poder sem poder de te ter no braços
Fraca rosa que vento de ti faz fracassos
Fraca rosa vermelha, que apenas vermelho
Não traz a liberdade do cravo

Mas tudo fica bem quando se acorda
Tudo fica bem quando se esquece
Mas quando na sombra permanece
O doce terror ao amor dá corda
E então o caminho é alagado
E sozinho se pedincha, sem legado.

quarta-feira, 10 de setembro de 2003

Margarida

Nasce para morrer envolta no seu pecado,
Amor que não renasce, é filha sem fado.
Sentindo imagens em corpos que apodrecem,
Insultos são doces que não morrem nem cessam.

Corpo num copo, afogado na mágoa,
Peixe que percorre em vão a lagoa,
No fundo arca e ouro, piratas de outrém,
Dão luzidia imagem ao reino além.

É amor, é mago, é calor é insulto,
Arranhar cego de sangue dum vulto,
Saliva doce que envolve e petrifica,
Toque de gesto que ao partir, fica.

No teu corpo, nome e alma,
No teu ritmo de aceleração e calma.
Na solidão o coração não pára, ama
O sol que aquece o lençol frio da cama.

A cada manhã,
cada pomba renasce, vã,
para morrer na noite fria de frio,
na penumbra da nuvem de brio
que o sopro do vento esculpe,
para no ciclo em que pecava,
Deus desculpe.

Amor, vive, vive e vive, para adormecer um dia,
e tornar-se a história da passada memória, que foi magia.

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