terça-feira, 1 de julho de 2003

Ao som da tua alma

Encontro a tua alma na escuridão da mente
Mostro a lua calma, vã noção, sã, diferente

A vida dança,
o vício avança,
a esperança morre,
a vontade corre
não alcança
e apaga memórias lindas…muitas idas, muitas vindas
constantes, ao mundo que era antes,
que é agora, os olhos firmes, a alma chora,
desespera por uma mera amizade,
para que sentir a culpa quando sempre dissemos a verdade?

Para que sentir me só quando há tanta gente na cidade,
ao meu redor, tanta gente como eu à procura de um pouco de amor,
calor da chama que derrete,
cada um preocupado em sair do buraco em que se mete
mas só a vida já é um buraco em que caímos e berramos
o ar é vácuo, ninguém ouve os nossos lamentos,
ninguém sente os nossos sentimentos,
não há quem nos dê a mão nos momentos difíceis,
quando estamos constantemente ameaçados por mísseis,
o amor desvanece, a mente permanece, o stress aparece
e fode-nos mas eu apostei no amor desse no que desse.

Amo-te, juro! Daqui para o futuro, seja mole, ou duro, seguro ou inseguro, quero tê-lo contigo,
quero vivê-lo contigo, se tu estás comigo, acreditas no que digo? Acreditas no que sentes?
Quando não mentes, as nossas mentes estão ambas presentes, abstractas e indiferentes e eu…
Amo quem me rodeia…aquela que todos os dias vem cheia,
de amizade, e em mim semeia,
quando está longe, a saudade.

Aquela que não monta uma teia,
que passeia pela minha cabeça como a areia
escorre pelos meus dedos,
no caminho em que a esperança morre,
como os meus medos.

Estou possuído por sentimentos
que pensava que era eu a possuir.
Absorvido em pensamentos
ligados a ti que me fazem sorrir,
me ajuda a construir o que sou hoje,
o que serei amanhã. A verdade não me foge,
quando nenhuma rima é vã.

É a beleza da tua mente
Que dá vida a esse corpo teu
Trás ao auge a quem o tem presente
Leva à morte àquele que o perdeu

Não importa o papel mas o poema
Não importa o artista mas a arte
Quando vem o coração amor é o lema
Quando vem a mente o coração parte

Amo-te, juro! Daqui para o futuro, seja mole, ou duro, seguro ou inseguro, quero tê-lo contigo,
quero vivê-lo contigo, se tu estás comigo, acreditas no que digo? Acreditas no que sentes?

Encontro a tua alma na escuridão da mente
Mostro a lua calma, vã noção, sã, diferente

domingo, 1 de junho de 2003

"Aqui tens, o inocente revólver para a eternidade”."

Entra, no corredor da dor,
atmosfera densa.
Sacrifica-te pela tua crença,
tu nasceste para vencer.
Vou-te espetar esta caneta no coração, vai doer.
O sangue vai escorrer pelas ruas, das noites sem luas.
Vê o reflexo do brilho dos pirilampos na faca, já suas!
Vê o lado negro do que te ilumina,
aquilo que parece inofensivo por vezes é uma mina.
Não te fascina tanto assim, a chacina, o fim?
O início? Vício é o ofício, a sombra ganhou face…Aquele monstro sem classe,
sem pinta, sem estilo. E não só...…Perfuração sucinta no coração. Até dá dó.
Ouve o grilo que canta,
não me espanta, se desejasses neste momento,
ser como ele.

Vejo a tua aflição, à flor da pele.
A tinta que pintava amor,
agora tornou-se na arma sem identidade.

"Aqui tens, o inocente revólver para a eternidade”*

*o anjo mudo, Al Berto

sexta-feira, 9 de maio de 2003

Amo (uma pequena cena)

É tão fácil virar as costas a quem não gostas
E então mostras faces poluídas de sombra
Nem sequer pensas na palavra que proferes
Sabes que estás bem, digas o que disseres
Mas não sabes como me sinto agora
Estou morto por dentro, vivo por fora
Não existo, nem tenho memória de ter existido
Sou apenas uma história, um holograma construído
Pelo tempo, pelo pensamento, não sou nada
Não tenho estrada nem destino
Não tenho hino, nem voz
Não sou eu, como podemos ser “nós”
Não estou indeciso, é que não tenho por onde decidir
O meu paradeiro não é conciso, não tenho para onde ir
Não tenho motivo para sorrir
Nem lágrimas para chorar
Não posso voar
Mas não assento no chão
O sangue não corre, escorre, não tenho coração
Não sou realidade, não sou ilusão
Sou uma verdade que vagueia na cidade
Do pensamento daquele que diz existir amizade
Amizade não tenho, é apenas um favor
Apenas há atracção, não existe amor
Eu não existo
Não subsisto de palavras
São apenas histórias macabras
Sou apenas páginas rasgadas
Não tenho linhas
Tu caminhas para mim
Mas não chegas ao fim
Não tenho eternidade
Não tenho infinito
Não tenho visibilidade
Nem voz, apenas grito
Não escrevo, apenas devo um legado de pesares
De que a minha existência não passa de olhares
Não passa de mares
Que se misturam com ares
Vês bolhas de água
São a mágoa das profundezas da alma
Não existe calma
Não existe pressa
A vida não cessa, mas não sei onde começa
Agora confessa, achas mesmo que eu valho a pena?
Eu não é nada, é apenas… uma pequena cena

amo

Todas as pessoas são almas
Onde pára o coração?
Perdido pelas ruas
Tanto minhas como tuas
As luas não iluminam
Quando o teu brilho as denominam
Como tudo á face da terra
E tudo o que nela encerra
Fascínio, não domínio
Extermínio, do exterior
Onde pára o amor?
Perdido pelas ruas
Tanto minhas como tuas
Onde paramos nós
Onde pára a nossa voz
Para dar lugar à tua presença
Damos valor ao que iluminamos
E não à luz que possuímos
Dentro de nos mesmos
E onde paramos nós?
quando sem coração nem voz
Somos apenas solidão de almas
As palmas das mãos suam
Os ventos na parede recuam
E onde pára o vento que
Batia na tua face
E onde pára o sol que
Outrora te revestia de classe
Pinta, estilo
E onde pára o só?
E onde vem esse nó
Que provocas quando evocas
A tua beleza que
Até um cego a vê…

Estrito e Inscrito III

Insere-me no teu compromisso,
Eu não falo mais de amor, prometo,
Insere-me em ti, eu, concreto.
Não falo mais de amor, derreto!

Mas prefiro derreter, a perder consciência
De ti, experiência, de nós, inocência na voz…

Serei tu, juventude eterna! Inconformados!
Ventos irrisíveis de infantes reformados
Olhos e partículas invisíveis
Somos homologados, catalogados,
Criadores perfeitamente recortados.

Informativo que se aclame, são a voz do povo!
Quebrantes de fórmulas, quebra ovos,
Quebra-nozes,
Quebra vozes,
Quebra instantes em estantes,
Quebrando estantes em instantes.

Informa a tua vida, imparcial!
Renova a tua ida, superficial!
Recorta Ilíada e cola-a no teu caderno,
Nesta nova era escrevem dedos eternos,
Isola e recorta, e chama-los inferno!

quinta-feira, 1 de maio de 2003

Verdadeira

Sofrimento de um sofredor
a quem a dor se disfarçou de amor.
Quando a mente se ajoelha ao coração,
quando a razão perde inspiração
na submissão à acção, indistinto
em que dou vazão ao instinto.
Não penso quando escrevo, mas sinto.
O sentir não mente, a mente não sente,
quando o impresente nos conquista para sempre.

Desespero de ficar preso na vista,
inocente, pura, mas dista da realidade,
da felicidade em que não acredito
porque já só grito pela verdade.
Pela solidão.
Verdade não se divide entrega-se, inteira.
Solidão não se guarda, partilha-se, verdadeira.

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