segunda-feira, 28 de abril de 2003

Estrito e Inscrito I


Bondade que se aproxima, é a vida adormecida,
Convulsões em lágrimas e provisões são cábulas,
E previsões são fábulas,
A vida adormece sem apoio, flutua.
A vida não concreta, não é minha, é tua.

Voa!
Estou convicto que a vida não morre!
A lua, flutua mas não alcanças…
É tua a saudade da loucura às crianças.

Olha-me nos olhos agora correctora de sonhos,
Despe tudo, explica a acção dos teus olhos,
Consegues ainda distinguir-me da multidão?
Eu sou o espectro fantasmagórico da solidão.

Voa!
Numa cidade sem esgotos que crias e funciona,
No mundo onírico onde a esperança não morre,
A lua flutua mas não alcanças o que me percorre.
Sou saudade e loucura do ventre às crianças…

E depois vem a lua, o passeio e as árvores,
O som da água é o único legado, um eco eterno,
A capacidade de pensar que tudo é efémero.
É o pecado da crença de que morte é sentença.

Voa!
Pássaro voa!
O céu é segurança certa,
Voa, a gaiola está aberta!

domingo, 27 de abril de 2003

caminhando sem sabor
ondulando pelo tédio
de saber o caminho de côr
de ter a vida por prémio

ser, sou o que vejo
viver, vivo de exagero
amor, a ele me almejo
sonhar? sonho o que quero

caminhando neste piso
sabendo o piso seguinte
tudo o que digo analiso
o que analiso é ouvinte

sendo assim sou eu
as lágrimas são marés
todo meu choro é teu
e tu? diz-me quem és!

quarta-feira, 2 de abril de 2003

Flor

O mal é temporal
O bem é eterno
O que sinto é solidão
O exterior é inferno
O rancor se torna terno
No amor sem governo

A mente não comanda o corpo
Possuído por sentimentos que pensava ser eu a possuir
Sentimentos que navegam, sem porto
Pelo mar da mente poluída, à espera do que há-de vir

Mas o que vem nunca se espera
Pelo que convém se desespera
Quem espera nunca alcança
Porque nessa confiança, não existe mudança
E nós somos noivos da mudança

A vida é pura fantasia
A realidade é total utopia
Porque o tempo nunca cura, é apenas anestesia
E a cada dia que passa
A cada noite fria se desgraça
Agrava e crava, cava um mesmo vazio
Mas a cada lágrima que escorre, crio
Solidifico e aqueço esse frio, a alma sua
Como o sol ilumina e aquece a lua

O sentimento vai mas há-de voltar
Tal como o vento, não é linear
E o sentimento regressa como todo o Outono
O sentimento cessa como todo o Inverno
O sentimento renasce, terno, como toda a Primavera
O sentimento arde em fogo, como todo o Verão
E sentimos a nostalgia, viajando pelo tempo,
olhando as cinzas se afastarem, em ritmo lento,
como andorinhas, desaparecem no horizonte
em que tento projectar e reflectir todo o sentimento
que vai, mas voltará, como o Vento.

Escritos de ritos de inspirações,
de noites com iluminações.
A vela que ilumina, também aquece.
A sombra que se vê nem sempre é o que parece.
O desejo renasce em novas faces, quando o matamos.
Mas o amor, tem várias classes.
Apenas o intitulamos como o mesmo sentimento,
com o pensamento no objecto amado…Quando o amor ultrapassa o desejo pecado,
sentimos o valor do objecto que ganha vida.
Que tem uma vida! Cuja unificação causa ferida.
Pela razão do coração a intuição é movida.
Da consciência a despedida.
A loucura é bem vinda.
Sensualidade mental, verdade espiritual, o amor se torna tudo.
O ouvido da razão fica surdo.
As almas unem-se, tornam-se pirilampos de noites sem luas.
Nos campos sem sombras. Palavras são fadas, almas iluminadas pela perfeição.
Sonho que desperta na ilusão da vela que ardeu.
Mas que a esperança não cesse.
Porque a vela que ilumina também aquece.

O mal é temporal
O bem é eterno
O que sinto é solidão
O exterior é inferno
O rancor se torna terno
No amor sem governo

Flor, arde, antes que desvaneças
Flor não fujas, ardes em mim até que cessas!
Não me faças perder-me em ti!
És a flor errada que eu colhi!
Não me possuas, não me venças,
Não me diluas, em falsas crenças!
Esperanças!
Danças em noites sem lua!
Noites vazias, só eu, à tua procura!
Noites sem sombras, nem palavras!
Noites das quais não há almas escravas…
Não me prendas, não me prendas!
Não invoques lendas alegóricas!
Não me toques, não me iludas em falsas realidades categóricas!
Não me foques, não me entranhes.
Não me ganhes, não te quero!
Arde antes que desapareças
Porque se desapareceres, deixas lembranças!
Arde, tu, e o sentimento maldito!!
Arde, tu, não me afogues aflito,
Em magoas de chuvas vindas de nuvens em que estou.
Não quero subir nelas, para depois cair como a chuva no chão!
Que volta a evaporar e a cair em locais distantes…
Por favor, amor, volta a ser como eras antes!
Não sou cíclico, o passado não se repete,
No presente que se reflecte.
No futuro que não promete,
Apenas lança esperança, como chuva no mar!
Apenas lança confiança, como mágoa no ar!
Apenas lança a lança no coração que não se alcança!!!
Balança sem equilíbrio tudo pesa para o vazio,
Tudo reza para que se faça calor do que frio!
Há erros que se cometem,
Há erros que não prometem,
Mas não há erros que marcam!!
Há amores que empatam!
A nossa mente no caminho,
Quando pensas que há 2 jogadores, e estás a jogar sozinho…

O mal é temporal
O bem é eterno
O que sinto é solidão
O exterior é inferno
O rancor se torna terno
No amor sem governo

terça-feira, 1 de abril de 2003

Alem

As minhas mãos tremem
Tremem as mãos mas ideias conseguem
Pôr cabeças a voar pelo ar que ofereço
Despedem-se do corpo como o sol do dia
Mas estão certas do regresso
Porque não há separação entre realidade e fantasia

Não preciso que me digam, que curtem o que faço,o que digo quando traço, a rima com que
desfaço, a poesia num só pedaço. Ponho as cabeças a voar pelo ar que ofereço.

Sem tema nem lema,
apenas o dilema que é a solidão.
Momentos em que vou bem, noutros não.

Um gesto, uma expressão,
uma certeza, uma sensação,
uma esperança, uma ilusão.

A confiança nunca causa destruição.
A ambição é o veneno do coração, é o pecado.
No certo e no errado, na balança da confiança,
os pesos são sentimentos, ilesos só os momentos já vividos,
nunca esquecidos, pois são a base do nosso presente,
imbuídos no nosso inconsciente.

Além da realidade, atingimos outros cimos.
Além do que captamos, vamos ao que sentimos.
Além da poesia, além do poeta, o sentimento que inspira,
o momento expira, e a mente delira, até que a verdade se adquira.

Pessoas que nos rodeiam,
ódios que nos odeiam,
medos que nos receiam,
amigos que nos falseiam.

Concretizo o abstracto,
abstraio-me do concreto,
o intelecto é um filho bastardo,
o afecto é um fardo que carregamos,
pelos caminhos da vida,
as pessoas a quem os entregamos
são um penso para a ferida do tempo,
são um incêndio ao vento,
transformam-se no espelho que enfrento,
são o tudo no nada,
são os raids da estrada,
são as fadas das noites sem luas,
onde as palavras, são tudo, pois não há sombras…
Além do mundo das aparências,
no fundo de todas as consciências,
está um deus mortal,
estão os céus da moral,
mas não as conseguimos ver,
por causa das nuvens do real.

segunda-feira, 10 de março de 2003

Erosao do Espirito

25 de Outubro de 2002

Cada passo que dou descubro mais um pouco sobre mim próprio, balançando num desespero do batimento e do sóbrio. Cada passo que dou, piso, sobre um sonho, indeciso, o futuro nada risonho em que inicio mais esta atitude de escrever sobre o que sinto para que tudo mude. Não consigo descrever, a vida é demasiado rude, demasiado complicada, mas são estas demasias, que fazem com que me aguente nesta sucessão de noites e dias, pensamentos e filosofias, percorrem aminha mente constantemente, vivendo a vida corrente. Nada é como antes tudo é como sempre... foi, dói a quem sente e a que ficou sentido, mas a vida é mesmo assim, nunca nada fica perdido.
A vida é como um sonho, vale sempre a pena vivê-lo, nem que seja para aprender qualquer coisa sobre ela mesmo que sendo um pesadelo. Toda a gente que vive connosco este sonho, em que me proponho viver, percorrer dê no que der, não passam de imagens criadas para dar algum sentido ao que vives, para seres incentivado e para que incentives. A vida é fodida, mais curta que comprida sempre ouvi isto, mas se paras ela continua e ficas para trás ta visto, não mordas o isco, o material não te trás felicidade, só te felicita, escondendo a verdade, e te indica um caminho de insanidade para o vazio, num mundo frio e cruel, onde o banal é natural e o mal é a tua pele. Tento desabafar o que está dentro de mim para mim, vivo o máximo, estendo-me até ao fim, até que um dia tudo acabe... terá de ser assim!
Mas afinal o que é que estou aqui a fazer, escrever é como um dever que tenho. Procurando saber para onde ir e donde venho. Estranho é tudo isto, mudo existo, tento, coexisto, assisto ao panorama, não vou pela fama, não há trama. Sons em que penetro, compreendo, ouço... não consigo, mas entendo, balouço. Quero chegar a algum lado, não posso ficar parado, não fico calado, é este o estado, não há pecado... Religiões, indecisões, movimentos financeiros que trazem lucro de milhões a meia dúzia de instituições que promovem a paz, utilizando armas: o dinheiro. O mundo inteiro a olhar, brincam com os nossos sentimentos manos! a paz está dentro de nós e vem daquilo em que acreditamos, na fé que temos no que sonhamos, vamos em frente e de pé e concretizamos.

sábado, 1 de março de 2003

Solidao

Solidão:
És o filtro para os resíduos;
És o peso de factos ambíguos;
És o remédio do tédio humano;
És o ermo no céu urbano;
És a chuva que alivia as nuvens quando eu me encontro nelas;
És as velas da alma que iluminam belezas belas,
Como a vida, pintada na tela… da solidão!

Solidão quem és tu? Que me acompanhas…
Amiga de verdade e na saudade me ganhas;
A vida é tão bonita na harmonia da tua companhia,
A cada dia me convences, da porcaria que tu vences,
Cada um é uma ilha rodeada de subjectividades latentes.
Solidão, tu és a filha de verdades tão distantes;
A vida molda-nos, para ser-mos nós a moldá-la.
A alma vive sempre e no nosso interior fala,
Uma língua imperceptível, qual será o conteúdo?
A solidão é o tradutor, do valor que está mudo;
Pela via do meio vou vivendo e vou morrendo,
As pessoas receio, recuando e avançando
Viajando… a terra vejo-a da lua,
Onde todo o rio, no meu mar desagua.

Acredito em ti, e tu em mim,
Cada momento juntos, não tem fim.
Todos os sentimentos se tornam puros objectos
Que eu moldo e relaciono aos afectos,
Queimas-me com a razão,
Afogas-me na solução,
E apenas apareces quando os outros não estão,
Numa fracção de segundos, páras os 2 mundos…
O tempo muda de forma, e se transforma num holograma,
Onde a fama social, não me trama o real, porque eu sou igual, diferente, como quiseres… quando
quiseres, o importante é se não feres!

Sozinho absorve-te na solidão,
Pelo caminho da subversão;
Ao que sentes quando tocas,
Ao que sentes nas mentes que focas,
Ao que vês quando acordas,
Ao que pensas quando adormeces,
Mas quando se partem as cordas,
E não tas habituado à solidão, logo padeces
Do remédio que a mente aprova,
O tédio passa, quando o real escava a cova
Para te enterrar vivo, mas inconsciente,
E tu te enterras na amizade carente
O presente eloquente já não te fascina
E tu te afogas nas tuas lágrimas, chacina
Da tua sina, estás condenado
A viver no pecado e no errado,
Se estás desapontado com os outros
Então acorda para razão
E procura se és tu ou são os outros que tão loucos,
Acorda pró sonho que é a solidão,
Porque os consolos reais, são poucos.

A infidelidade só se desculpa com a confiança;
A felicidade, não se atinge com esperança;
(Mas já não consegues ir além da esperança!
Avança!)
A verdade, não é coexistente;
A perfeição, não é coerente;
A convivência sem benevolência,
sem consciência nem coerência,
só trás violência entre o meu e o teu coração,
Por isso eu te tenho como amiga, Solidão:

És o filtro para os resíduos;
És o peso de factos ambíguos;
És o remédio do tédio humano;
És o ermo no céu urbano;
És a chuva que alivia as nuvens quando eu me encontro nelas;
És as velas da alma que iluminam belezas belas,
Como a vida, pintada na tela… da solidão!

Talento inato, o destino não vem no plasma.
Alento pacato, o retiro de um fantasma,
Sentado no propósito da vontade,
Ignorado pela realidade
No labirinto da verdade.
Influência não atrai
Na consciência em que se cai,
Só a demência me trai.
Fantasma influente, com afluente do desígnio de demente,
Talvez por viver da mente, plenamente pela mente para a mente
não se mente.
Delinquente não serve, dissidente não ferve a água poluída em que navego,
no escuro mas não cego, entrego o que me transmitem, obrigado!
Preso mas não culpado, no fado não interessado, presente é o pecado,
passado é o fardo, mas a vida é assim e eu já estou habituado.

A mente é o puzzle, a vida é o labirinto onde choveram as peças,
e pelas suas paredes pinto sonhos, não os meças.
Se te pedem que esqueças: Não obedeças.
Nunca esqueces, apenas adias e então os dias pesam na consciência,
paredes vazias levam-te à demência,
só te resta olhar o céu, sonhar, sem juiz não há réu
e pintar para que o que é meu, também seja teu.
E vice-versa, o que interessa é viver para quem está à minha frente
não nas costas, mas não respiro, sufoco demente, que me importa se não gostas?
Mais do que pensas, quero ficar bem contigo, mas se não estou bem comigo,
estou mal com o meu melhor amigo, a dependência é um perigo.
As ruas do inimigo, irrigo de amizade, a finalidade? É a verdade que procuro,
é na tua mão que me curo, é no teu sorriso que me seguro…
mas também, isto não é um precipício, é apenas um muro sem porta,
no inicio, aquele que é puro não se conforta com as toxinas que mandam à cara,
quando a feridada fragilidade apenas sara no bem-estar com o oponente…
cabou a paciência, a defesa é o ataque, da minha mente.

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